Eu não sou homem pra você. Talvez esse texto todo só precise de uma frase. Mas, talvez, eu precise ser bem mais prolixo, é de praxe, você sabe. Eu falo muito, não tem como você fingir que não sabe.
Não sei por que essas coisas acontecem comigo. Eu tenho um sentimento estúpido reprimido que me faz querer fugir das coisas. Meu histórico de relacionamentos é bem grande e maior do que esse tamanho, talvez seja a frustração que carrego deles junto comigo e vai chegando uma hora em que a gente tem que se olhar no espelho e parar com o “não deu certo” ou talvez o clássico “a gente era bem diferente”. Eu sou um boçal mesmo, mas meu terapeuta vai dizer que isso é uma construção do meu ego em relação ao quadro que me foi apresentado durante a infância. Maldito seja Freud. Talvez o fato de reconhecer tudo isso já seja um grande passo. Mas isso me dá a impressão de que a história não é tão “platônica” assim. Não existe um “ideal”, o cume da honestidade consigo. Eu tenho um certo tipo de inveja dessas pessoas que se conhecem, que se “controlam”. Eu nunca aprendi a ser assim. Na verdade, até um tempo atrás eu não sabia que existiam pessoas assim. Com objetivos, com honestidade em relação aos seus próprios pensamentos e sentimentos. Isso é um pouco novo pra mim. Geralmente, a gente “empurra com a barriga” e vai seguindo para ver o que acontece. Talvez meu terapeuta esteja mesmo certo. Até alguns poucos anos atrás, eu não tinha um emprego “de verdade” e nenhuma perspectiva de “futuro”. Na verdade, eu nunca me importei com isso. Seria meio clichê jovem dizer “não chego aos 30”? Já pensei bastante isso. Na real, eu nunca esperei muita coisa de nada. Nós que crescemos na periferia, em grande parte, compartilhamos um sentimento meio negativista da vida e também não é para menos. Quem de nós vai chegar em algum lugar? Vou me planejar para ter uma vida regada a trabalho braçal e mal remunerado? Não dá pra esperar nada, vai ser uma “bosta” de qualquer jeito.